Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Está Tudo Tratado e Nada Resolvido

Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm opiniao...

Está Tudo Tratado e Nada Resolvido

Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm opiniao...

Peter Francisco o português herói americano

 

 
"Um Hércules de 6 pés e meio de altura que empunhava um sabre de seis pés de comprimento, Peter Francisco foi provavelmente o soldado mais extraordinário da Guerra da Revolução Americana".
Joseph Gustaitis, na American History Magazine

Na sua vida a lenda e a realidade misturam-se de tal forma que se torna muito difícil distinguir uma da outra. Em Portugal a sua história é praticamente desconhecida.
 
Sabe-se que Pedro Francisco terá nascido em Porto Judeu, nos Açores em 1760. Muito cedo terá emigrado com a família para os Estados Unidos. Conta-se que aos cinco anos foi adoptado por um juiz de City Point na Virgínia.
 
Aos dezasseis anos, media 1,98 m e pesava 120 kgs, tornou-se ferreiro. A sua força física e estatura possibilitaram-lhe que se alistasse no 10º Regimento da Virgínia.

Em Setembro de 1777, serviu sob o comando do general George Washington em Brandywine Creek na Pensilvânia, onde as forças dos colonos tentaram deter o avanço de 12.500 soldados britânicos que avançavam em direcção a Filadélfia.

Foi o general George Washington quem determinou que uma espada especial adequada ao seu tamanho, fosse confeccionada para Francisco.

Washington terá dito posteriormente acerca de Peter Francisco: "Sem ele teríamos perdido duas batalhas cruciais, provavelmente a guerra e, com ela, a nossa liberdade. Ele era verdadeiramente um Exército de um Homem Só."

Na batalha de Camden em 1780 terá realizado um dos seus maiores feitos, quando, após os colonos se terem retirado diante dos britânicos, deixaram no terreno uma enorme peça de artilharia com cerca de 450 kgs. Afirma-se que Francisco a colocou às costas e a terá transportado para que não caísse nas mãos do inimigo. Em homenagem a esse feito, os correios dos Estados Unidos emitiram em 1974 um selo comemorativo.
 
Os seus feitos foram sendo relatados entre os soldados que lutavam pela independência face aos britânicos. Muitas vezes eram utilizadas para levantar o moral dos mal equipados soldados rebeldes.
 
Em 1850, o historiador Benson Lossing registou no "Pictorial Field Book of the Revolution" que "um bravo virginiano deitou abaixo 11 homens de uma só vez com a sua espada. Um dos soldados prendeu a perna de Francisco ao seu cavalo com uma baioneta. E enquanto o atacante, assistido pelo gigante, puxava pela baioneta, com uma força terrível, Francisco puxou da sua espada e fez uma racha até aos ombros na cabeça do pobre coitado!"
 
Mais tarde, enquanto recuperava dos ferimentos, Peter Francisco foi apresentado ao francês Marquês de Lafayette. Um francês que tinha vindo com um contingente militar para auxiliar os rebeldes na luta contra os britânicos.
 
Francisco sofreu mais seis ferimentos ao serviço do seu país, tendo morto um número incerto de britânicos e sido condecorado ao final do conflito por generais americanos que se certificaram de que ele estava presente na rendição do general Charles Cornwallis e dos britânicos em Yorktown, a 19 de Outubro de 1781.
 
Tornou-se um homem abastado, sendo nomeado para a Câmara de Representantes da Virgínia. Foi sepultado em 1831 com honras militares no Cemitério Shockoe Hill em Richmond, na Virgínia.

MIA - Sindrome da Mediocridade Inoperante Activa.

 
 
“Quando surge um verdadeiro génio no mundo, podemos reconhecê-lo pelo seguinte sinal: todos os medíocres conspiram contra ele.”
Jonathan Swift (1667 – 1745) autor de As Viagens de Gulliver
 
É verdade que os génios não abundam, normalmente estas características são detidas por pessoas criativas, artistas, cientistas, investigadores, pensadores, gestores, desportistas ou outros. Seria impensável um mundo constituído apenas por génios. Mas são esses que fazem a diferença, é com eles que o mundo progride.
 
Essas qualidades podem ser inatas ou adquiridas. A maioria de nós, na sua mediania ambiciona atingir níveis de excelência nos vários quadrantes da vida. É a nossa condição natural de tentar alcançar a felicidade e a perfeição.

O valor inverso é a mediocridade. É de notar que não é um factor tão negativo como pode parecer à primeira vista. De facto se todos fôssemos criadores geniais, o mundo seria um caos. Quem se encarregaria das dimensões naturais e normais da nossa vida? Ninguém iria querer trabalhar nas fábricas, recolher o lixo, lavar pratos nos restaurantes, assegurar funções básicas, etc. Deste equilíbrio de valências resulta o quotidiano.

Luís de Rivera, catedrático espanhol de psiquiatria, define assim a mediocridade:

“ A mediocridade é incapacidade para valorizar, apreciar ou admirar a excelência e define-se em 3 graus

1. A mediocridade comum é a forma mais simples e inócua. Os seus sintomas são a hiper-adaptação, a falta de originalidade e uma normalidade tão absoluta que poderia ser considerada patológica: a chamada “normopatia”. Os que a manifestam não têm ponta de criatividade e não sabem distinguir a excelência, mas respeitam as indicações que lhes dão e são consumidores bons e obedientes. O conformismo permite que se sintam razoavelmente felizes.

2. A mediocridade pseudocriativa, acrescenta à anterior uma tendência pretensiosa para imitar os processos criativos normais. Enquanto o medíocre comum não se esforça para além do mínimo exigível, o pseudocriativo sente necessidade de aparentar e ostentar poder. A imagem é tudo para ele, mas, como não distingue o belo do feio, o bom do mau, não mostra inclinação para favorecer progressos de qualquer tipo e incentiva as manobras repetitivas e imitativas.

3. A mediocridade inoperante activa (MIA). Trata-se do mais prejudicial e agressivo, pelo que encaixa no perfil da maioria dos praticantes de assédio.
É esta variante de mediocridade maligna que tem como único objectivo prejudicar o talento alheio e quem se destaca pelos seus méritos. Enquanto as categorias anteriores são simplesmente incapazes de reconhecer o génio, os MIA também se propõem destruí-lo por todos os meios ao seu alcance. O indivíduo afectado por esta síndrome desenvolve uma grande actividade que não é criativa nem produtiva, e possui um enorme desejo de notoriedade e influência. Por isso, tende a infiltrar-se em organizações complexas, nomeadamente as que já se encontram minadas por formas menores de mediocridade, com o objectivo de entorpecer ou aniquilar o progresso dos indivíduos brilhantes.
 
A mediocridade e o seu oposto, a excelência, surgem ligadas a uma série de características contraditórias: a primeira costuma ter por aliados a inveja, a imitação, o conformismo, a adaptação, a tradição, a inércia e a rotina; a segunda é amiga da admiração, da criatividade, do inconformismo, da rebeldia, da inovação, da curiosidade e da iniciativa."
 
Deixo-vos a tarefa de enquadramento de cada uma delas no vosso próprio quotidiano e vão decerto chegar à mesma conclusão a que eu próprio cheguei: São muito mais os medíocres do que os outros...

Spirit


man gets tired
spirit don't
man surrenders
spirit won't
man crawls
spirit flies
spirit lives when man dies

man seems
spirit is
man dreams
spirit lives
man is tethered
spirit is free
what spirit is man can be

now we tread the fresh fields,
the higher grounds and the summer slopes
that man may someday climb on
now we tread the fresh fields
the higher ground and the summer slopes
that man may someday climb on
we're on the heels of Rimbaud
we are in the swing
chandelier-like dancing
and we feel everything
high on the wine of life
high on the wine of life
untethered and free
untethered and free
what spirit is man can be

(Mike Scott, London, 1984)


 

Every breath you take ou o hino do perseguidor

Na minha adolescência, os Police foram uma banda marcante. Um dos meus ídolos de sempre, Keith Richards, guitarrista dos Stones, referiu-se a eles numa entrevista nos anos oitenta, como sendo a melhor banda do mundo naquela altura.

 

O tema mais emblemático e que sempre me acompanhou é “Every breath you take”, ganhou o Grammy Award para a melhor canção do ano 1983.

 

Durante muitos anos, tal como a generalidade das pessoas, estive convencido de que tratava de uma canção terna de amor. Os versos falavam de uma dedicação eterna à pessoa amada. Era um tema obrigatório nas festas de casamento. Nada mais errôneo:/p>

 

A Argentina, entre 1976 e 1983 viveu sob uma ditadura militar. Neste período muitas pessoas conotadas com a oposição desapareceram, hoje sabe-se que foram assassinadas pelos militares. Os sucessivos governos tentaram branquear esse passado e a oposição utilizou este tema dos Police em manifestações de protesto.

 

Sting compôs a canção no célebre hotel GoldenEye na Jamaica em 1982. Contou que numa noite de insónias se levantou de madrugada já tinha na cabeça o refrão, sentou-se ao piano e começou a escrever, em meia hora estava pronta, já não tornou a adormecer. “Nem me apercebi quão sinistra ela era” – confessou mais tarde – “Acho que estava a pensar no Big Brother de Orwell, em vigilância, controle...”

 

A musa inspiradora do tema foi a sua ex-mulher Frances Tomelty, a primeira esposa da qual tem 2 filhos. Tinham-se separado e Sting não tinha ultrapassado a questão. Mais tarde confessou ter ficado admirado com o sucesso da música. Considerou-a uma das mais simples que havia composto e que a letra nada tinha de terno, nem de politico. Era apenas uma canção que falava de um amor que terminara, mas em que um dos membros não se conformara. De uma forma doentia começa a perseguir a ex-companheira roído pelo ciúme e sentido de posse.

 

Gordon Sumner (Sting) afirmou: “Acho curioso as pessoas ouvirem este tema num casamento. É uma canção que nasceu de uma experiencia vivida de ciúme e sentido de posse. Eu não iria querer ouvir isso no meu casamento”.

 

O tema é sinistro, nada tem a ver com harmonia e paz. Fala de um amor possessivo e doentio, ciúme e perseguição.

 

É irónico que uma canção que durante anos ouvimos e interpretamos de uma determinada forma, afinal representa precisamente o contrário. Aborda um tema tão pouco tratado como o dos “stalkers", pessoas que não se conformam com o terminus de uma relação e assediam o ex-companheiro ou ex-companheira das mais incríveis formas possíveis, levando-as por vezes ao suicido.

 

Agora sempre que oiço este tema vêm-me à memória vitimas conhecidas deste tipo de paixão obsessiva, doentia e destruidora. As emoções invocadas, agora são completamente diferentes. Aquele que seria um hino ao amor, não é mais do que um hino ao perseguidor.

 

 

Every breath you take

Every move you make

Every bond you break

Every step you take

 

I'll be watching you

 

Every single day

Every word you say

Every game you play

Every night you stay

I'll be watching you

Oh can't you see

You belong to me

How my poor heart aches

With every step you take

Every move you make

Every vow you break

Every smile you fake

Every claim you stake

 

I'll be watching you

Since you've gone I've been lost without a trace

I dream at night I can only see your face

I look around but it's you I can't replace

I feel so cold and I long for your embrace

I keep crying baby, baby, please

 

Oh can't you see

You belong to me

How my poor heart aches

With every step you take

 

 

Alguns clichês

 

Todos temos a tendência de utilizar “lugares comuns” ou “clichès” que, por princípio, todos entendem para explicar situações ou atitudes que são conhecidas de todos. Mas a questão que coloco é esta: será que todos sabem do que estamos a falar?

Vou dar-vos alguns exemplos de lugares comuns.

 

peter-principle1.jpg

 

O Principio de Peter

“Num sistema hierárquico todo o funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência”

Laurence J. Peter fez este postulado na sua obra de 1969 “The Peter Principle”.

Explicando melhor, segundo Peter alguém que integre numa empresa como estagiário, pode vir a ser promovido a técnico efetivo, dai vai subindo até ser gerente, onde se revelará incompetente. Com isto, sua ascensão finda e esta pessoa ficará estagnada numa função para a qual não tem qualquer competência para exercer.

Mais grave ainda, também observou que nem todos os indivíduos se elevam. Alguns não são promovidos porque se acredita serem indispensáveis no lugar em que estão, ou seja, foram elevados até o nível da "indispensabilidade". Concluiu então que, quando coincidem os níveis de incompetência com o de indispensabilidade de um indivíduo, deparamo-nos com uma anomalia: o incompetente indispensável.

Peter considera que a competência é determinada não por estranhos, mas pelos superiores. Considerando que, se um superior ainda estiver no seu nível de competência, poderá avaliar os subordinados no sentido de lhes obter um desempenho útil de trabalho; mas, se este superior estiver no seu nível de incompetência, procurará manter os subordinados dentro de valores institucionalizados, ou seja, será mais formalista e exigente do cumprimento de regras, rituais e formas estabelecidas. Desta forma ele assegura a manutenção do seu lugar de incompetência.

 

Pavlovs%20Dog.jpg

 

Os reflexos condicionados de Pavlov

Para Pavlov, aquilo que se denominava por espírito mais não era do que a actividade do cérebro. Dedicou-se, por isso, a estudar profundamente a actividade nervosa superior, estabelecendo um conjunto de leis fisiológicas que acabaram por lhe valer o Prémio Nobel da Medicina em 1904. Concluiu que é no córtex cerebral que se vão formar, modificar e desaparecer os reflexos condicionados.

Pavlov, ao estudar as secreções gástricas dos cães, descobre que sempre que era apresentado um estímulo (comida) eram produzidas secreções (saliva), facto que acontecia de um modo semelhante em todos os elementos de uma espécie animal. São os chamados reflexos inatos ou reacções automáticas naturais, por exemplo: num cão verifica-se a produção de saliva quando é apresentado um alimento, facto que serve para ajudar a ingestão do alimento.

Para além destes reflexos descobriu que se podem desenvolver reflexos aprendidos podendo assim proceder-se a uma alteração dos comportamentos. Os reflexos aprendidos ou condicionados são produzidos pela associação de um estímulo novo (estímulo que não produzia inicialmente nenhuma resposta específica) ao estímulo antigo (que desencadeava o reflexo inato). Por exemplo o cão associa a comida ao seu tratador, logo, quando o vê produz-se saliva.

Concluiu também que este tipo de reflexos é comum ao ser humano.

 

 

imagesCAPX4EL2.jpg

 

A lei de Murphy

“Se alguma coisa tem a mais remota hipótese de correr mal, certamente correrá mal”.

O criador desta lei foi o capitão da Força Aérea americana, Edward Murphy. Foi um dos engenheiros envolvidos nos testes sobre os efeitos cardíacos da desaceleração rápida em pilotos de aeronaves.

Para poder fazer essa medição, construiu um equipamento que registava o ritmo cardíaco e a respiração dos pilotos. O aparelho foi instalado por um técnico, mas simplesmente ocorreu um problema e o equipamento não funcionou. Murphy foi chamado para consertar o equipamento, descobriu que a instalação estava toda errada, daí formulou a sua lei.

A partir desta lei foram criadas várias derivadas muito interessantes, alguns exemplos:

. As coisas podem piorar, mas você não tem imaginação suficiente.

. Toda a partícula que voa, encontra um olho.

. As coisas vão piorar antes de melhorar. Quem disse que as coisas vão melhorar?

 

 

peter-pan_05.jpg

 

A síndrome de Peter Pan

Existem indivíduos que se recusam a crescer. A sua personalidade caracteriza-se pela imaturidade psicológica, e o narcisismo. Tratam-se de pessoas irresponsáveis em quase todos os aspetos da vida, rebeldes, que se negam a crescer, dependentes, manipuladoras e que se sentem acima das normas sociais. Estes indivíduos costumam sentir-se insatisfeitos com o que têm, mas nada fazem para resolver a questão. Limitam-se a pedir ou a exigir, como se tudo fosse um direito adquirido.

Resumindo o conceito, estamos a falar de meninos mimados. Está cientificamente demonstrada a grande importância do papel das mães na educação destes rapazolas...

 

monsieur-de-la-palisse.jpg

 

A verdade de La Palice

Diz-se de algo que é tão evidente que se torna redundante destacar.

“Se não estivesse morto, ainda estaria vivo”

Este epitáfio ficou inscrito numa canção composta pelos soldados comandados por Jacques de Chabannes, senhor de La Palice (1470-1525).

O senhor de La Palice era um guerreiro valoroso que foi morto na batalha de Pavia. Os seus soldados em homenagem ao comandante compuseram uma canção ingénua, cujos versos lhe valeram a imortalidade.

 

BodeExpiatorio.jpg

 

Bode expiatório

Diz-se de alguém que arca com as responsabilidades de outros.

A origem da expressão tem a ver com relatos do primeiro testamento. O dia da expiação dos pecados do povo de Israel. Nesse dia eram levados dois bodes para a cerimonia. Um deles era sacrificado, o outro era o bode expiatório. Era abandonado no deserto por ser portador de todos os pecados dos israelitas. Com a sua morte todos os pecados eram expiados.

 

209px-Emanuelo_Filiberto_de_Savojo.jpg

 

Testa de ferro

Diz-se de alguém sem qualquer poder, mas que representa outra pessoa ou poder oculto.

A origem da expressão terá sido em Itália com Emanuele Filiberto di Savoia (1528-1580), conhecido como Testa di Ferro, que foi conde de Asti, duque de Saboia, príncipe de Piemonte e conde de Aosta. Foi também rei de Chipre e Jerusalém, mas tratavam-se de cargos fantoches, sem qualquer poder.