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Está Tudo Tratado e Nada Resolvido

Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm opiniao...

Está Tudo Tratado e Nada Resolvido

Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm opiniao...

Arthur Schopenhauer


Muito embora não partilhe da sua visão crua e ácida da vida, sou admirador da sua aguda inteligência. Hoje conto-vos quem foi Arthur Schopenhauer.
Foi um filósofo alemão do século XIX. Nasceu em Danzig, na Prussia, 22 de Fevereiro 1788 e morreu em Frankfurt a 21 de Setembro 1860.

Foi um pessimista na sua visão do mundo. Segundo ele, a vontade é a força fundamental da Natureza. A vontade é infinita e traz com ela a característica da insaciabilidade, condição conflituosa que provoca dor e sofrimento no homem.

A relação difícil com a sua mãe marcou muito a sua personalidade, mas permitiu-lhe conhecer intelectuais como Goethe (1749-1832), que frequentavam a sua casa em Weimar, centro da vida cultural alemã na época. Graças à herança que recebeu do pai pôde viver sua vida de solteiro com relativo conforto e inteiramente entregue ao seu trabalho intelectual.

Para Schopenhauer, o mundo é uma representação individual. Nas suas próprias palavras: “O mundo é a minha representação: eis uma verdade que vale para cada ser vivo, mesmo que apenas o homem seja capaz de a entender na sua consciência reflexa e abstrata; e quando ele verdadeiramente o faz, a meditação filosófica nele penetrou”.

Escreveu sobre a relação entre sonhos e realidade. Para ele, seria impossível distinguir as duas condições. A vida seria um sonho muito longo interrompido durante a noite por outros sonhos curtos. “Nós temos sonhos; não será toda a vida um sonho? Mais precisamente: existe um critério seguro para distinguir o sonho da realidade, os fantasmas e os objetos reais?”. Perguntava Schopenhauer.

Segundo ele, nosso instinto de sobrevivência é cego. Mesmo sabendo que o que nos aguarda é a morte certa, nós continuamos na busca da sobrevivência. Nas suas palavras, os instintos: “São dessa forma os esforços e os desejos humanos que nos fazem vibrar diante da sua realização como se fossem o fim último da nossa vontade; mas depois de satisfeitos mudam de fisionomia”. Assim, diz que “o Eu é a própria vontade de viver”.

De acordo com Schopenhauer, o amor é apenas um truque da natureza na tentativa de preservar a espécie humana. Sendo este mundo um vale de lágrimas, a natureza ligou o orgasmo ao acasalamento, assim, no ato sexual consegue-se eliminar a culpa do ser humano quando nasce um novo espécime.

Notem bem a discrição de Schopenhauer: “ (...) todo enamoramento, depois do gozo finalmente alcançado, experimenta uma estranha desilusão e se surpreende de que aquilo que tão ardentemente desejou não ofereça nada mais do que qualquer outra satisfação sexual (...) ”.

Na sua obra observa-se a negação da vontade de viver. Ele indica a fuga da realidade com silêncio, jejum, castidade e uma renúncia sistemática de tudo que é real; como forma de atingir a felicidade plena (o Nirvana).

Com sua personalidade forte e palavras amargas sobre o filósofo Hegel, ganhou antipatia no mundo académico. Schopenhauer chegou a dizer que Hegel era um “charlatão de mente obtusa, banal, nauseabundo, iletrado”. Outro motivo que provavelmente foi crucial para seu insucesso foi a audácia de abrir sua filosofia aos pensamentos orientais. Schopenhauer foi o primeiro pensador ocidental a fazer isto, agregou ensinamentos do Budismo e do Hinduísmo em seus estudos.

Só obteve reconhecimento nos seus últimos dias com a publicação do livro “Parerga e Paralipomena”, uma compilação de aforismos escritos de maneira cativante e popular.

Sua obra teve grande influência em Freud e Nietzche, que o alcunhou de “cavaleiro solitário”.

Schopenhauer morreu aos 72 anos vítima de uma pneumonia.