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Está Tudo Tratado e Nada Resolvido

Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm opiniao...

Está Tudo Tratado e Nada Resolvido

Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm opiniao...

As lendas que são lendas


WYATT EARP (1848-1929)
No cinema é retratado como um jogador profissional e honesto, pistoleiro rápido e certeiro e homem corajoso, que teria muito sucesso com as mulheres.

Embora seja retratado como um temido xerife, apenas desempenhou funções policiais durante 5 anos. A sua restante vida é passada a jogar à batota e a viajar pelo sudoeste americano investindo os lucros do jogo em bares e casinos. Roubou cavalos, foi vigarista, abandonou a mulher em pleno deserto.

Participou num tiroteio famoso em Tombstone. Os irmãos Earp sobreviveram e mataram 3 elementos do outro gang já depois destes se terem rendido. Nada honroso.

Wyatt Earp morreu de morte natural, pouco antes que Stuart Lake, o escritor, publicasse a falsa biografia que o celebrizaria e que faria Wyatt o protótipo do herói do Oeste. O cinema e a televisão ergueram-lhe um monumento que o mundo admira. Um homem tão corajoso que uma vez foi esbofeteado num bar e não reagiu. 

Ficam as palavras do Juiz Benson: “Wyatt Earp... Bígamo, trapaceiro e velhaco.”


JESSE JAMES (1847-1882)
O realizador Nicholas Ray deu-lhe um tratamento benevolente e generoso, dando a ver que ele não passou de mais uma vítima da violência e das injustiças sociais, provocadas pela Guerra Civil Americana e que só agiu movido pelas circunstâncias. É retratado como um "fora da lei" que roubava aos ricos para dar aos pobres.

Na verdade roubou diligencias, comboios e assaltou 11 bancos. Não consta que tivesse oferecido fosse o que fosse. Matou 16 pessoas, duas das quais eram funcionários bancários desarmados.

Foi morto pelas costas por um companheiro do gang que recebeu uma recompensa pela captura.

A mãe morreu na miséria a vender lembranças aos turistas que vinham visitar a campa do seu filho mais famoso em Kearney, Missouri.




BILLY the KID (1859-1881)
No écran transparece uma figura jovem que praticamente foi obrigado a seguir uma carreira no crime. Afinal ele apenas queria divertir-se. Praticamente foi obrigado a seguir uma carreira no crime.

Nem de propósito James Dean foi convidado para fazer o papel, mas não chegou a fazê-lo.


Na realidade Billy the Kid não foi mais que um psicopata que matou 21 pessoas, pelo menos, dado que na época mexicanos e indios não contavam. Estas mortes eram perpetradas em emboscadas e assaltos, não em duelos por defesa da honra.

Tal como Jesse James, foi morto por um amigo numa emboscada.


KIT CARSON (1809-1868)
O guia do Oeste selvagem, defensor da justiça e dos indios. Enquanto percorreu os estados do norte esta imagem correspondeu aquilo que tantas vezes li nos livros de quadradinhos da minha infância. Possivelmente porque o indios Cheyennes e Utes nunca manifestaram oposição aos avanços do exército americano.

Só quando o coronel Carson foi incumbido de fazer o mesmo no Novo México e Arizona é que tudo passou a ser diferente. Privou os Navajos dos seus pastos e retirou-lhes o sustento de Inverno, levando à morte por fome guerreiros, mulheres e crianças. Os indios foram então obrigados a confinar-se ás reservas.



BUFFALO BILL (1846-1917)
O corajoso aventureiro e batedor da cavalaria americana. Foi carteiro da Pony Express, condutor de diligencias, ferroviário e gerente de hotel.

A maioria das suas aventuras nunca ocorreram, faziam parte de um espectáculo, uma espécie de circo, que ele organizou: O Buffalo Bill's Wild West Show.

Na verdade ele tinha sido um intrépido caçador de búfalos, pensa-se que só à sua conta terá abatido cerca de 5.000. Deu um elevado contributo para a quase extinção da espécie.

É triste chegarmos à conclusão que o nosso imaginário da juventude não passa disso mesmo: imaginário.

As figuras são manipuladas ao sabor de interesses comerciais para se tornarem exemplares aos nossos olhos. 

Hoje sabemos que estes pseudo-heróis afinal não passaram de uns párias para a sociedade em que viveram.

O romantismo daqueles personagens é derrotado pelos factos da historia e nós que queremos acreditar em algo belo e puro, somos confrontados com a dura verdade de que as lendas se constroem a partir da deturpação da realidade.