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Está Tudo Tratado e Nada Resolvido

Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm opiniao...

Está Tudo Tratado e Nada Resolvido

Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm opiniao...

Livro: A servidão humana - W. Somerset Maugham


William Somerset Maugham nasceu em Paris, em 1874. Sexto filho do procurador da embaixada britânica, sua primeira língua foi o francês. Ficou órfão aos dez anos, quando o mandaram para a Inglaterra para viver com o seu tio, vigário de Whitestable.  Formou-se em medicina e abandonou a carreira após o sucesso de seus primeiros romances e peças teatrais. Escreveu O pecado de Liza (1897), Servidão Humana (1915), O fio da navalha (19441), Uma dama na Malásia (1932), Histórias dos mares do Sul (1936), Férias de Natal (1939), Véu Pintado (1925), O destino de um homem (1930), dentre outros. Sofria de disfemia e foi ridicularizado na Inglaterra, pelos colegas de escola, por não falar bem o inglês. Tinha baixa estatura. Maugham viveu em desgraça, tanto na comunidade religiosa do tio, como na escola, onde era maltratado por companheiros. Tal fato fez com que desenvolvesse a habilidade de fazer observações sarcásticas daqueles que o enfureciam.
Referência bibliográfica
Maugham, W. Somerset, 1874 – 1965.

É um romance extenso mas fluente, cuidadosamente elaborado, cerebral, analítico, brilhante. Segundo consta é um relato praticamente auto biográfico da juventude do autor muito atormentado por um complexo de inferioridade física.

Os personagens são densos de caracter variável e absolutamente contigentes, tal como é na realidade a natureza humana. A capacidade de analise psicológica do autor é fantástica. A relação de Philip com Mildred baseada numa servidão voluntária é quanto a mim um relato perfeito das nossas contradições.

A exposição da frieza ou do afecto, da bondade ou da maldade, a avareza ou generosidade é feita de uma forma crua, directa, sem artifícios. Somerset Maugham ensina-nos que os outros não nos vêem da mesma forma que nós próprios, para o bem e para o mal.

Embora a acção decorra nos finais do século XIX, e o contexto social seja o da Inglaterra dessa época, o leitor vai-se identificando com os dramas psicológicos vividos por Philip. Nessa altura percebemos que as nossas realidades interiores não são assim tão diferentes de há 100 anos. 

Recomendo a leitura porque se trata de um romance perfeito, um dos grandes livros do século XX.