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Está Tudo Tratado e Nada Resolvido

Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm opiniao...

Está Tudo Tratado e Nada Resolvido

Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm opiniao...

O neoliberalismo não é social democracia



O conceito de neoliberalismo surge pela primeira vez em 1938, através do economista alemão Alexander Rustow. É caracterizado pela liberalização, privatização das atividades económicas, comércio livre, mercados abertos, redução dos gastos públicos e defende pouca intervenção do Estado na atividade económica.

A base da teoria neoliberal assenta no próprio liberalismo. Os seus defensores dizem que o termo neoliberal é utilizado pelos seus críticos, não pelos próprios.

John Locke foi o ideólogo do liberalismo no séc. XVII, defendeu o direito à vida, à liberdade e à propriedade. É a partir do direito à propriedade privada que surgem as primeiras teorias económicas liberais.

O escocês Adam Smith, no séc. XVIII, teve um papel pioneiro na formulação de postulados que derivaram para as ideias de hoje. Uma das teorias mais conhecidas é o conceito de “Mão Invisível”, nele, Smith preconiza que o Estado não tem necessidade de regulamentar as relações económicas porque a oferta e a procura ajustam-se automaticamente, sem necessidade de arbitragem.

Durante o séc. XIX a lei de Say tem um papel relevante na argumentação económica dos seus defensores. Jean Baptiste Say postulou que a Oferta de determinado produto, gera procura por outro produto adjacente. Esta lei terá sido mais tarde deturpada por Keynes. Fica aqui o argumentário original de Say: Se um agricultor tem um boa colheita, esta será boa não só para os agricultores como também para os comerciantes de todos os outros produtos. Nós compramos mais sempre que interagimos mais. Por outro lado quando um negócio ou empreendimento estão debilitados, os outros negócios correlacionados sofrem também.

É a lei de Say que servirá de impulso à Escola Austríaca. Através da teoria dos Ciclos Económicos que explicam que as recessões económicas surgem da falta de ajustamento entre a Oferta e a Procura e não apenas da insuficiência da procura, como defendia Keynes.

Um dos principais pensadores da Escola Austríaca foi Frederich Hayek, prémio Nobel da economia em 1974. Era um crítico da intervenção do estado, defendia que não se pode dissociar a economia dos restantes aspetos da vida humana e como tal não poderia estar sujeita a controle.

Hayek considerava o mercado livre como a fórmula ideal para o progresso das nações. Todo o tipo de controlo retira autonomia ao individuo, cada pessoa deve decidir em cada momento o que é melhor para si. As ideias eram levadas ao extremo por oposição aos modelos socialistas que na altura estavam muito em voga. Em 1944 publicou a sua obra mais famosa “O caminho da servidão” que foi um alerta contra a proliferação dos regimes totalitários que então ganhavam preponderância.

Entretanto surge em Chicago a Escola Monetarista, liderada por Milton Friedman, prémio Nobel da economia em 1976. Foi um dos conselheiros económicos do ditador Augusto Pinochet do Chile, para além de Nixon e Reagan.

Friedman defendia todos os principais fundamentos do liberalismo: participação mínima do Estado na economia, livre concorrência de mercado, redução de impostos e desregulamentação dos mercados de capitais.

Uma das suas maiores admiradoras era Margaret Thatcher que pôs em prática muitas das suas ideias, recordo aqui uma delas: No início dos anos setenta Thatcher havia sido indigitada ministra da educação. Tinha de reduzir as despesas no seu ministério. Uma das primeiras medidas que tomou foi mandar retirar a entrega de leite nas escolas primárias britânicas, iniciativa de que a Inglaterra se orgulhava de ser pioneira.

Ora todas estas ideias já foram testadas em vários momentos e em diversos Estados. Arrisco-me a dizer que em todas elas os resultados foram desastrosos. É um sistema que com a ajuda da globalização privilegia os mais poderosos, sejam estados, empresas ou pessoas. A hegemonia dos mais ricos provoca um fosso em relação aos mais pobres. A justiça social esbate-se.

Inicialmente costuma verificar-se um choque económico que cria grandes bolsas de pobreza por via do aumento de falências, desemprego, quebra nos salários, etc. (Lembrar anos 70).

Numa segunda fase instala-se um clima de relativo progresso, porque o incentivo provocado pelo alívio fiscal e os salários baixos alavancam o investimento. Nesta altura as taxas de crescimento sobem, os níveis de desemprego descem e a surge um aprazível bem-estar social (Lembrar anos 90).

É partir deste nível, que normalmente é fugaz, que surgem as crises económicas. Esta volatilidade tem a sua origem no fator mais aleatório que realmente controla os mercados: o capital.

A redução na velocidade de circulação monetária, fica a dever-se ao excesso de acumulação de capitais meramente especulativos em atividades não produtivas ou em paraísos fiscais sem regulamentação. Vem ao de cima a natureza canibal das organizações. As multinacionais vão absorvendo concorrentes paulatinamente, até ao ponto da livre concorrência ser aparente (veja-se o caso da energia ou das comunicações). Isto acontece porque se protegem em conglomerados complexos e em negociações secretas inexpugnáveis para os reguladores,que haviam sido previamente enfraquecidos ou neutralizados. (Lembrar a crise 2008).

Advém daqui o começo de um ciclo económico adverso que normalmente é bem mais longo que o ciclo positivo. (Lembro a atualidade). Ou seja, o retorno à primeira fase, mas agravada com a perda de direitos sociais.

Abordei este tema apenas para esclarecer alguns iluminados que se dizem sociais-democratas, mas que no fundo não passam de neoliberais não assumidos.

Continuam a ocorrer os colapsos financeiros provocados pela falta de regulação, ainda há pouco os mercados provocaram o pânico, com os casos do Lehman Brothers, o caso Madoff, o caso Espírito Santo e outros e os abutres continuam a cheirar as presas.