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Está Tudo Tratado e Nada Resolvido

Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm opiniao...

Está Tudo Tratado e Nada Resolvido

Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm opiniao...

Piratas de que ninguém se lembra


Quando pensamos em piratas, imaginamos homens barbudos de cabelos sebosos e compridos, queimados pelo Sol e pelo sal, seres destemidos, impiedosos e brutais. 

O que hoje vos conto não tem a ver com esses, mas sim com mulheres pirata. Vou relatar-vos histórias das mulheres pirata mais infames dos sete mares.

Anne Bonny
Nasceu na Irlanda em 1698, o seu nome verdadeiro era Anne Cormac. Ruiva e de temperamento volátil, tornou-se famosa depois de ter casado com o pirata James Bonny.

O casamento durou pouco. Juntou-se com outro pirata, Calico Jack Rackham, que viria a ser seu marido, a seguir tornou-o seu imediato no galeão Revenge. Em 1720 o navio é capturado pela marinha inglesa. Conta-se que na prisão, enquanto aguardavam julgamento, Anne disse ao seu marido: “ Lamento ver-te nesta situação, mas se tivesses combatido como um homem, não serias enforcado como um cão.”

Rackham foi enforcado, Anne como estava grávida foi poupada. Conta-se que o pai, pessoa influente, terá pago o seu resgate.

Não há registos da sua morte.

Mary Read
Era a melhor amiga de Anne Bonny. Vestia-se de homem. A mãe sempre a vestiu de rapaz para aproveitar a roupa do irmão mais velho e ela assim se habituou. Chegou mesmo a alistar-se no exército inglês sob o nome de Mark Read.

Mais tarde chegou a viver com um soldado um soldado flamengo, após a morte prematura deste, viajou até às Índias Ocidentais.

O barco onde viajava foi tomado por piratas. Os captores eram nada mais, nada menos do que Anne Bonny e Calico Rackham. A partir daí nasce a amizade entre Anne e Mark.

O marido de Anne tinha ciúmes daquela relação, nessa altura é-lhe revelada a verdadeira identidade de Mark.

Após a captura do Revenge, esteve presa com Anne Bonny, mas Mary morreu na prisão em 1721 vítima de febre.

Sadie “A Cabra”
Era líder de um grupo de ladrões das ruas de Nova Iorque no final do sec. XIX. Chamava-se Sadie Farrell.

Em 1869 deixou as ruas para se dedicar a piratear barcos que transitavam no canal de West Side em Manhattan. Com o seu grupo de delinquentes percorriam o rio Hudson e invadiam as aldeias ribeirinhas. Sequestravam alguns habitantes e exigiam resgates, quando estes não eram pagos os reféns eram atirados às águas.

Estes assaltos duraram apenas uns meses porque os locais começaram a organizar-se a reagir às investidas. Sadie e os seus homens voltaram para as ruas de Nova Iorque.

Uma vez numa luta num bar com outra mulher ficou sem uma orelha, mas usou-a num medalhão até ao final da vida.

Não há registo da sua morte.


Rainha Teuta da Illyria
Foi rainha da tribo Ardiaei, um território que hoje corresponde à Croácia.

Durante a sua curta regência de 4 anos encorajou a pirataria. Os seus corsários chegaram a dominar o mar Adriático. O seu reino tornou-se muito rico e poderoso graças aos saques de barcos romanos, gregos e fenícios.

Em 227 AC, após uma guerra de 2 anos, perdida para os romanos, Teuta foi deposta do seu trono e a história de uma mulher outrora poderosa, perdeu-se no tempo.

Jacquotte Delahaye
Filha de um francês e de uma haitiana. Não há registo preciso do seu nascimento, viveu durante o sec. XVII.

Esta pirata famosa, ficou sem os pais muito cedo. Tinha um irmão deficiente, para tratar dele disfarçou-se de homem e tornou-se pirata nos mares das Caraíbas.

Após ter vivido muitos anos como homem, assumiu-se como mulher. Era descrita como sendo possuidora de uma beleza invulgar. Por ser impiedosa e ter cabelo ruivo, recebeu o epíteto de “A Morte vermelha”.

Morreu por volta de 1656 numa batalha quando defendia uma pequena ilha das Caraíbas que havia conquistado uns anos antes.


Jeanne de Clisson
Nasceu numa família nobre francesa no ano de 1300. Casou-se pela primeira com 12 anos. Após a morte do seu marido, casou uma segunda vez com Olivier de Clisson, um bretão que durante anos combateu a Inglaterra.

Em 1341 começa a Guerra dos Cem Anos. Dois anos depois, Olivier, por denúncia de um companheiro de armas Charles de Blois, é acusado de traição pelo Rei de França Filipe VI.

Foi decapitado em 2 de Agosto de 1343.

Jeanne jurou nesse dia que vingaria a morte do seu marido.

Vendeu as terras que lhe pertenciam e arregimentou um pequeno exército para combater as forças pró-francesas da Bretanha. Quando a situação em terra começou a complicar-se adquiriu 3 navios de guerra.

Mandou pintar os navios de preto e colocar velas vermelhas. A sua pequena frota começou a ser chamada pelos ingleses de “Black Fleet”. Patrulhava as águas do Canal da Mancha, seu objetivo era capturar navios franceses, especialmente da frota de Filipe VI.

Conta-se que as suas tripulações eram impiedosas e executavam tripulações inteiras, deixando vivos apenas 1 ou 2 tripulantes, para que contassem ao rei quem os tinha capturado.

Jeanne ficou com o epiteto de “A Leoa de Brittany”. Os acordos que estabelecera com os ingleses garantiam-lhe abastecimento e proteção.

Foi pirata durante 13 anos. Em 1356 casou com o tenente inglês Sir Walter Bentley. Viveu um resto de vida em tranquilidade no castelo de Hennebont em território francês aliado à coroa inglesa.

A vingança sobre Charles de Blois nunca foi consumada. Ele morreu num combate em 1364 e mais tarde foi canonizado pela Igreja Catolica.

Quanto a Jeanne, nada mais se soube da sua vida e tornou-se uma lenda.


Anne Dieu-Le-Veut
Nasceu na Bretanha em 1661. Por motivo de roubo, terá sido deportada para a ilha Tortuga, o paraíso da pirataria.

Casou com um pirata chamado Pierre Lelong, que foi morto em 1690. No ano seguinte torna a casar, desta vez com Joseph Cherel que morreu em duelo no ano de 1693.

Anne para vingar a morte do marido, desafiou Laurens de Graaf para um duelo. Graaf recusou desembainhar a espada contra uma mulher. Preferiu pedi-la em casamento, ela aceitou e casaram em 28 de Julho de 1693.

Anne começou a acompanhar o seu marido nas expedições de pirataria. Era tida como uma mulher corajosa e cruel, comandava o navio e a tripulação
em conjunto com Graaf.

Em 1693 tomam a Jamaica. Como reconhecimento, o rei de França atribuiu ao seu marido, o título de Chevalier do Reino.

Em 1695 os ingleses retaliam e Anne e os seus filhos são feitos reféns. Em 1698 a França paga um resgate e eles são libertados.

Juntamente com Laurens de Graaf acabaram por ir viver para o Louisiana, que na altura era uma colónia francesa.

Do resto da sua vida, não existem registos, sabemos apenas que morreu em 1710.


Sayda El Horra
Nascida no ano de 1495 em Barraxe, província de Xexuão a norte de Marrocos, era filha do alcaide da cidade e da sua esposa castelhana. Diziam que era detentora de grande inteligência e que recebera formação dos maiores estudiosos do seu tempo.

Em 1510 casou-se com Mohamed Al- Mandari, o alcaide da cidade de Tetuão.
Após a morte do seu marido, Sayda montou uma frota que controlava o tráfego naval na área de Gibraltar. Os corsários de El Horra causaram grandes prejuízos aos navios portugueses que faziam a rota para Ceuta, Tanger, Arzila e Alcácer-Ceguer.

O seu sucesso, levou o poderoso rei de Fez a pedi-la em casamento. Após o casamento o rei encarregou-a das relações com a coroa portuguesa.

Após um ano foi destituída das funções através de uma intriga engendrada pelo seu irmão em conluio com o governador português de Ceuta, Afonso de Noronha.

Terá morrido na sua terra natal em 1542.