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Está Tudo Tratado e Nada Resolvido

Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm opiniao...

Está Tudo Tratado e Nada Resolvido

Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm opiniao...

Ser ou não ser? Eis a questão.

 

Ser ou não ser William Shakespeare?

Esta é uma dúvida que tem assaltado as mentes de muitos intelectuais, estudiosos da obra fenomenal do poeta e dramaturgo inglês. Segundo eles a complexidade da obra não se compagina com formação académica do jovem William Shakespeare (1564-1616), que nunca teve uma educação clássica, que na altura só era acessível a famílias nobres.
 
As pesquisas de vestígios biográficos do autor, nunca foram fáceis. Apenas aos poucos e com dificuldade foram sendo descobertas ao longo do tempo, as provas documentais de que existiu um indivíduo de nome William Shakespeare, nascido e criado em Stratford-upon-Avon, pouco estudado embora filho de um político local (mas luveiro de profissão). A certa altura da vida tornou-se ator e, mais tarde autor teatral em Londres. Terminou seus dias em Stratford-upon-Avon, onde emprestava dinheiro a juros, tornando-se um homem muito rico.
 
O cineasta alemão Roland Emmerich, realizou “Anonymous” em 2011 a história que põe em causa toda a obra de Shakespeare Stanley Wells, presidente da associação “The Shakespeare Birthplace Trust”, afirmou que “não há qualquer prova, esta história é fabricada. É uma teoria da conspiração que já está em marcha há 150 anos. Começou pouco depois da morte de Shakespeare, mas durante a sua vida ninguém duvidou da autoria das obras. Se for à igreja vai ver um monumento em homenagem a William Shakespeare de Stratford-upon-Avon, com inscrições da época em latim e em inglês aclamando-o como um grande escritor.”
 
A primeira grande teoria acerca da hipótese de que Shakespeare não teria escrito a obra a ele atribuída aponta para o filósofo Francis Bacon (1561-1626). Autor brilhante, Bacon transitou por todos os gêneros literários mais difundidos em seu tempo – menos a poesia e o teatro, o que bastou para indiciar que Shakespeare seria um seu pseudónimo.
O segundo “suspeito” de se ter ocultado por trás do nome de Shakespeare foi um personagem controverso e escandaloso na sua época Edward De Vere (1550-1604), o Conde de Oxford, que segundo consta, era o filho secreto da rainha Isabel I. É uma das trajetórias mais obscuras da época, daí o personagem ter suscitado mais essa suspeita: a de que teria escrito o que se atribui a Shakespeare.

 
Sigmund Freud foi um dos defensores desta teoria, afirmou: “Não creio que William Shakespeare, o actor de Stratford, tenha sido o autor das obras que há tanto tempo lhe têm sido atribuídas. Desde a publicação do volume de J.T.Looney, ‘Shakespeare’ Identified [1920], estou quase convencido de que de fato Edward de Vere, Conde de Oxford, está oculto por trás desse pseudónimo. (Freud, 1925) ”.
Há quem diga que o verdadiro Shakespeare teria sido o político e diplomata Henry Neville. Foi encontrado um caderno escrito por Neville quando ele ficou encarcerado na Torre de Londres, por volta do ano 1602, contém anotações detalhadas, muito anteriores à data de publicação e que acabaram por constar da peça "Henrique VIII", encenada pela primeira vez alguns anos mais tarde.
 
A sua experiência na torre, onde Neville correu o risco de ser executado por participar numa conspiração para derrubar a rainha, também poderia explicar a mudança de tom das obras de Shakespeare, que, a partir de 1601, passam de histórias e comédias para as grandes tragédias ditas shakespearianas.
 
Henry Neville era um homem culto que viajou pela Europa e era amigo íntimo do conde de Southampton, a quem acredita-se que foram dedicados alguns dos sonetos de Shakespeare. É exatamente este o motivo que leva alguns especialistas a colocar de parte esta teoria, porque existem algumas incoerências geográficas ao longo da obra, incompatíveis com alguém muito viajado.
Há também quem considere que o verdadeiro autor seria Christopher Marlowe, falecido em 1604, antes da publicação de peças importantes como "Macbeth" e "Rei Lear". Segundo os seus defensores, Marlowe teria simulado sua morte e continuado a escrever anonimamente.
 
A nível artístico tudo o que restou da obra de Shakespeare foram 37 peças, 154 sonetos e alguns poemas longos. Ficaram apenas pouco mais de 20 documentos que o mencionam, como seu testamento, registos de imóveis e a sua carreira profissional. É muito difícil conseguir compor uma biografia correcta com tão pouca informação.
 
James Shapiro um dos maiores especialistas da obra de Shakespeare afirmou a propósito desta polémica:
 
“Há quem afirme que os académicos de Shakespeare têm tanto investido profissionalmente, que conspiram ou são pagos para manter o segredo de que, na verdade, outra pessoa seria o autor. Posso assegurar que se descobrisse qualquer evidência de que não foi Shakespeare quem escreveu "Hamlet" ou "Romeu e Julieta", o publicaria imediatamente e ficaria rico. Vivemos numa era em que as ideias conspiratórias são alimentadas pela internet, então a questão da autoria de Shakespeare lança luz não apenas nisso, mas também sobre o momento cultural, ofuscando o que realmente interessa: a obra.”
 
Da pesquisa que fiz posso apenas concluir que a polémica vai continuar.